Após negociação com o governo, policiais militares do Rio Grande do Norte vivem momento histórico

Qua 01, 2018 Escrito por 
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Como o país acompanhou nas últimas semanas, os praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Norte pressionaram o governo por condições dignas de trabalho, salário em dia e pelo fim do descaso com a área da segurança pública. Em resumo, lutaram por seus direitos.

Com a população insegura e a classe militar insatisfeita, os reflexos e prejuízos logo se tornaram evidentes. Após inúmeras tentativas de negociação com o governador, Robinson Faria (PSD), a solução parecia distante.

 

Governo acata pleito dos militares

 

Na segunda-feira, 08/01, realizou-se a primeira reunião, que durou cerca de sete horas e estabeleceu os 18 pontos que deveriam ser contemplados no acordo com o governador do Estado.

Já na terça-feira, 09/01, após intensa articulação e argumentação, os representantes da categoria e das entidades de classe do RN e de outros estados reuniram-se com o chefe do Executivo e chegaram a uma solução vitoriosa para os policiais que trabalham naquele estado.

Toda a cúpula do Governo do Estado, comandantes-gerais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar participaram do encontro. Ao final, foi concluído os termos de compromisso e acordo extrajudicial com 25 pontos.

"É um movimento que sai vitorioso e serve de exemplo para o país inteiro, em termos de organização, coordenação e participação. Foi fundamental e fantástico", avaliou o presidente da Associação Nacional de Praças (Anaspra), Elisandro Lotin.

“Apenas para exemplificar a dimensão dos avanços, em 15 dias o governo encaminhará à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte um projeto de lei que extingue a pena de prisão disciplinar e implementar o Código de Ética”, disse o presidente da Associação de Praças de Minas Gerais (Aspra/MG), Marco Bahia. RN será o segundo estado, depois de MG, a abolir a pena de prisão disciplinar - uma das principais bandeiras da Anaspra.

Entre outras conquistas, estão a regulamentação da carreira dos militares de acordo com o Estatuto da PMRN; o pagamento do 13º salário até o final de janeiro; e o pagamento de dezembro, que será quitado até o dia 12 de janeiro.

“Houve um avanço histórico para a corporação deste estado. O governador também indicou que não haverá punição para os militares que aderiram ao movimento reivindicatório, seja na esfera administrativa ou criminal”, explicou Bahia. 

O movimento também repercutiu em todo o país, e nos principais meios de comunicação. Nesses momentos, o presidente da Anaspra pode falar sobre a situação da insegurança no país. "A segurança pública no Brasil está abandonada, os índices de violência no Brasil estão aumentando gradativamente nos últimos dez anos, e isso se dá, entre outros motivos, porque as polícias dos Estados estão sem as mínimas condições de trabalho, em especial nos Estados mais populosos”, explicou Lotin. "Dessa forma, se a gente não consegue ter o mínimo do mínimo, que são condições de trabalho adequadas e salários dignos, fica impossível desenvolver segurança pública. E o movimento do RN expôs essa realidade de penúria das instituições para o povo potiguar e para a população brasileira."

 

Solidariedade

Para ajudar a resolver o impasse, diversas associações da classe militar em âmbito federal e estadual estiveram no Rio Grande do Norte para auxiliar nas negociações. "O apoio da sociedade, das entidades organizadas e das associações representativas foi fundamental, contribuindo com um desfecho positivo”, considerou Lotin.

Entre os presentes, estavam os diretores da Aspra/MG, Marco Bahia (presidente) e o Heder Martins (diretor jurídico). Também fortaleceram o movimento o presidente da Associação Nacional dos Praças (Anaspra), Elisandro Lotin, o presidente da Associação de Praças de Pernambuco (Aspra/PE), José Roberto Vieira, o presidente da Associação dos Praças de Alagoas (Aspra/AL), Wagner Simas, e o presidente da Associação de Praças do Ceará (Aspramece), Pedro Queiroz da Silva, além de deputados federais ligados aos praças.

O presidente da Associação dos Subtenentes e Sargentos da PM do RN, Eliabe Marques da Silva, externou o agradecimento às lideranças de praças de outros estados. “Nossos colegas foram fundamentais para resolvermos o impasse e chegarmos a um bom termo”, elogiou.

Veja em detalhes as 25 cláusulas do acordo firmado entre os representantes dos praças e o governador do Rio Grande do Norte

 

Com informações da Aspra/MG

Ler 116 vezes Última modificação em Quarta, 10 Janeiro 2018 20:59
ANASPRA - ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PRAÇAS

Anaspra é a consolidação do projeto acalentado pelas lideranças organizadas nas inúmeras entidades de classe do país.