Rio Grande do Norte: movimento Segurança com Segurança continua

Qui 01, 2018 Escrito por 
Avalie este item
(0 votos)

Em assembleia geral, policiais e bombeiros militares do Rio Grande do Norte decidiram manter o movimento Segurança com Segurança, em reivindicação pelo pagamento de salários atrasados e contra as condições precárias e ilegais de trabalho. A reunião foi realizada nesta quarta-feira, 03/01, no Clube Tiradentes.

 

Outra novidade é que o governo do Estado, finalmente, resolveu abrir um canal de negociação. A informação foi repassada pelo comandante da PM ao subtenente Eliabe Marques, presidente da Associação dos Subtenentes e Sargentos (ASSPMBMRN), antes do início da assembleia. A reunião entre os representantes das associações e governador Robinson Faria, mais a equipe econômica, será na quinta-feira, 04/01, às 18 horas. A presença do Ministério Público também é requerida pelo movimento. 
 

“Vamos ver o que o governo pode colocar em prática, e não apenas fazer promessa”, assegura Eliabe. O resultado da reunião com o governo será levado para uma nova plenária da categoria, agendada para sexta-feira, 05/01, a fim de deliberar sobre a continuidade do movimento. Uma das reinvidações que será colocada na mesa de negociação é que o governo reconheça que não existe greve e não tome nenhuma medida administrativa e penal militar contra a categoria.

 

Até o momento, portanto, a mobilização e a recusa em trabalhar sem condições dignas de trabalho, iniciadas em 19 de dezembro, continuam. Os salários de novembro, dezembro e o 13º ainda não foram pagos plenamente. Apenas cerca de 40% do efetivo recebeu o pagamento.

 

A estrutura para realizar o serviço é outra motivação da categoria. Os veículos - tanto da Polícia como do Corpo de Bombeiros - estão em condições precárias, não só em relação à documentação, mas também com problemas de segurança, que colocam em risco a saúde e a vida dos profissionais. Segundo Eliabe, “mais de 80 da frota está em desacordo com o Código de Trânsito”.

 

A situação insatisfatória da estrutura de trabalho também afeta o fardamento dos militares. A última licitação para compra desses equipamentos foi em 2015. Se o militar quiser ou precisar de nova farda, tem que pagar do próprio bolso. Inclui-se aí também a capa do colete à prova de balas. “Os coletes estão vencidos e são em números insuficientes. A placa é compartilhada, mas a capa cada um compra a sua. Quer dizer, o PM está tirando do próprio salário para custear seu trabalho.”

 

Ameaça de prisão e solidariedade

 

No dia 31 de dezembro, durante plantão judicial, o desembargador Claudio Santos determinou aos responsáveis pelas Polícias Militar, Civil e Corpo de Bombeiros Militar que efetuem a prisão em flagrante de todos os integrantes da segurança pública, que, a partir da publicação da decisão, “promovam, incentivem, estimulem, concitem ou colaborem, por qualquer meio de comunicação, para a continuação da greve no sistema de segurança pública do RN”.

 

Segundo as associações representativas, o movimento em vigor no Rio Grande do Norte não é greve, mas uma manifestação legalista pela vida dos trabalhadores que realizam segurança pública. Conforme as associações, as decisões judiciais têm sido cumpridas integralmente, pois não existe greve nem motim. No entanto, as entidades e seus diretores não podem obrigar os militares a aceitar condições de trabalho indignas e ilegais. “Os policiais estão indo todo dia ao trabalho, o que está prejudicado é sair para as ruas porque não existem as condições legais”, explica o presidente da ASSPMBMRN.

 

Em protesto à decisão judicial, policiais civis se apresentaram, nesta quarta-feira, 03/01, na Delegacia Geral de Polícia (Degepol), com algemas em punho, para serem presos, mas nenhum deles foi efetivamente detido.

 

Conforme blog do jornal Tribuna do Norte, caso algum policial seja preso por causa das mobilizações, os servidores do sistema penitenciário irão deliberar pelo início de uma Operação Padrão nas unidades prisionais.

 

Além do apoio de entidades representativas de diversos setores da sociedade, a população potiguar manifesta, permanentemente, solidariedade ao movimento.

Ler 549 vezes Última modificação em Quinta, 04 Janeiro 2018 01:18
ANASPRA - ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PRAÇAS

Anaspra é a consolidação do projeto acalentado pelas lideranças organizadas nas inúmeras entidades de classe do país.